COBERTURA: ARMAGEDDON METAL FEST 2º EDIÇÃO - JOINVILLE/SC (01/06/2019)
11/06/2019 13:18 em Música

Matéria feita pelo nosso companheiro e apresentador do programa Toca do Shark ALEXANDRE WILDSHARK que presenciou a penúltima apresentação de Andre Matos à frente do Shaman, confira aí:

 

  ARMAGEDDON METAL FEST – 2º EDIÇÃO

(ExpoVille, Joinville/SC – 01 de Junho de 2019)

 
E não é que Joinville, uma das maiores e mais lindas cidades de Santa Catarina se tornou capital do Metal no primeiro dia deste mês de junho? Aliás, Santa Catarina está se tornando um polo centralizador de grandes e ótimos festivais de Metal no Brasil. O que antes era prática em Minas Gerais e que um dia também foi em São Paulo agora está tomando forma no estado do sul do país, inúmeros festivais, a maioria deles com mais de um dia e área de camping, no melhor estilo europeu da coisa toda e, apesar de ter acontecido em apenas um dia, o ARMAGEDDON METAL FEST também seguiu o padrão de excelência praticado no estado. Eu, como paulista recente aqui no sul, morei no sudeste a vida toda não tinha ainda me dado o prazer de visitar um desses festivais do sul e olha, fiquei de cara!
 
VIOLENT CURSE e membros da imprensa em coletiva
(Heavy Metal Online, Toca do Shark e Underground Extremo)
 
A estrutura do complexo de eventos ExpoVille, além de uma área externa enorme também tem um salão indoor gigantesco onde a organização de AMF estruturou uma pequena e modesta área de alimentação na entrada, depois das escadas (com escada rolante e elevador para todos terem acesso garantido) vinha a área onde foram montados os stands de merchandising das bandas e apoiadores do evento, o que acabou virando uma área super gostosa de convívio onde você poderia trombar com os músicos das bandas presentes no evento atendendo os fãs para fotos, autógrafos, bons papos, sem estrelismos ou qualquer tipo de empecilho. À esquerda dali tinha a área de imprensa e os camarins, pra depois vir o salão fechado onde o ‘coro ia comer’, com espaço de sobra para dois palcos grandes posicionados lado a lado, fazendo assim com que as trocas de bandas fossem bem mais ágeis. Em mais de 20 anos rodando a cena, nunca vi uma troca de bandas tão rápida num festival, não ultrapassavam os 5 minutos entre o fim de um show e o começo de outro, ao menos na maior parte do festival, falaremos sobre isso depois.
O atendimento aos profissionais de imprensa também foi dos melhores e mais atenciosos que já vivenciei, mas, passado o momento dos elogios, vamos ao som, que é o que realmente importa.
 
VIOLENT CURSE
 
Pontualmente às 14hs a primeira banda começou a tocar, o VIOLENT CURSE de São Bento do Sul/SC começou o evento com ‘a faca nos dentes’, destruindo tudo e deixando todos de boca aberta, o power-trio destrinchou seu Speed Metal blasfemo durante os primeiros 25 minutos do festival, deixando bem claro que este seria um dia matador!
 
Mizuho Lin (SEMBLANT)
 
Sem nem um pingo de atraso o SEMBLANT de Curitiba/PR tomou a audiência de assalto com seu Dark/Gothic Metal sem choradeira, de altíssimo nível!
SEMBLANT (cred. Kallyna H. Gomes)
 
Às 15 horas subiu ao palco a banda paulista instrumental HUEY, mas essa foi a única que perdi o show, pois estava na área de imprensa entrevistando alguns artistas, esse era o ‘problema’ da agilidade de troca de bandas, problema pra nós da imprensa, o público só saiu ganhando com isso.
Dane El (HUEY) (cred. Kallyna H. Gomes)

Faltando 10 minutos para as 16hs e com um ligeiro atraso devido à regulagem de som e retorno no palco (isso foi um ponto negativo em alguns shows que notei, a equipe de som presente entre os palcos deu umas mancadas bem feias) veio a primeira das mais aguardadas, os ‘duendes’ do TUATHA DE DANNAN que estão promovendo o novo álbum “The Tribes of Witching Souls” numa turnê nacional sem descanso. Devido aos atrasos iniciais para regulagem de som o set curto ficou mais curto ainda, mas lavaram as almas dos fãs com os clássicos ‘Believe, it’s True’ e ‘Tan Pinga Ra Tan’, além da nova ‘The Tribes of Witching Souls’(que teve problemas de equalização) e uma do primeiro play gravado a exatamente 20 anos, ‘Us’. Mas é claro que com o corte de set ficou faltando o hino máximo ‘Finganforn’, imperdoável, mas compreensível, foi um belo show que deixou os catarinenses com gostinho de quero mais e portas abertas pra banda voltar à cidade em breve.

TUATHA DE DANNAN (cred. Kallyna H. Gomes)
 
Com 10 minutos de diferença do ‘running order’ oficial a banda de Black Metal BLACKMASS de Cascavel/PR adentrou ao palco com toda fúria contida para espalhar a praga sonora no recinto, com o público nas mãos assim como foi o show do TUATHA tracei uma linha imaginária de luz e escuridão ladeadas e igualmente saudadas pela audiência, foi interessante de ver enquanto a banda desfilava seus hinos de guerra ‘Rising Suphur’, ‘Wrath of Legions’ e encerrou com ‘Nemesis’.
 
BLACKMASS (cred. Kallyna H. Gomes)

 

FLESH GRINDER (cred. Kallyna H. Gomes)
 
Sem descanso pros ouvidos e pescoços a plateia recebeu a ‘nojeira sonora’ dos ‘pratas da casa’ FLESH GRINDER exatamente às 17:15 com ‘Crematorium’ da clássica demo-tape de 1994 e seguiram com ‘Embolia’, ‘Granulomatous Inflammation With Elliptical Macrophages’ entre outras tantas mais escatológicas.
 
SYMMETRYA
 
Mais alguns papos com outros grandes nomes evento afora consegui ver um bom pedaço do show da banda que cunhou o hino do festival, também de Joinville, o SYMMETRYA pratica um Power Metal de respeito que deixou todos que não a conheciam de boca aberta, com direito a um tributo a RONNIE JAMES DIO, quando executaram ‘Heaven and Hell’ a banda ainda impressionou com sons próprios como ‘Something in the Mist’ baseada em obras de STEPHEN KING e até ‘Sins of Suicide’ que trouxe um belíssimo solo de baixo de Felipe Moreira de apenas 18 anos, mas o fogo pegou mesmo no final quando chamaram ao palco o vocalista da banda ZOMBIE COOKBOOK Lucas (a.k.a. Dr. Stinky) para executarem o hino do festival intitulado ‘Armageddon’ ao qual foi gravado para um futuro clipe.
 
THE SECRET SOCIETY
(cred. Kallyna H. Gomes)
 
A próxima banda sim me impressionou de maneira positiva, THE SECRET SOCIETY é um trio de Curitiba/PR que executa um som que me lembrou as grandes bandas de Gothic Rock dos anos 80 com a fúria do Metal dos anos 90, uma cruza de THE MISSION ou ECHO & THE BUNNIMEN com DANZIG, T.S.O.L. e MY DYING BRIDE, sei lá, muito interessante mesmo, procurem.
 
THE MIST (Korg)
 
Agora, por volta das 19hs era a vez da primeira banda a entrar no palco já com ‘o jogo ganho’, os veteranos do THE MIST direto de Minas Gerais trouxeram ao palco catarinense ninguém mais ninguém menos que duas lendas vivas, Wladimir Korg (a voz do CHAKAL) e Jairo Guedz (a guitarra original do SEPULTURA) e que carisma! Que talento e, mais importante que tudo isso, que simpatia desses caras! A plateia delirava ao ver a cabeça do espantalho nas mãos de Korg que vociferava hinos no microfone como se não houvesse amanhã! Desfilaram ali diante nós ‘A Step Into Dark’, ‘Hate’, ‘Phantasmagoria’ entre outras que deixaram muitos marmanjos com os olhos mareados de verdade.
 
Mas nem por isso tivemos descanso, dali por diante era clássico atrás de clássico e também começaram a aumentar os atrasos entre as bandas o que as faziam cortar uma ou duas canções do set list, o que foi o caso dessa que, sem sombra de dúvidas foi uma das três mais aguardadas do festival todo, direto do Rio de Janeiro, os reis do Metal-Maloca, GANGRENA GASOSA e sua macumbaria desenfreada! Começaram o esculacho direto com ‘Se Deus é 10, Satanás é 666’ com o público enfeitiçado, foi quando eu notei que TODO MUNDO literalmente perdeu a linha, até as garotas mais comportadas que sempre vão acompanhando seus namorados desceram do salto e se jogaram nas rodas de mosh sem medo de nada, os caras mais ‘na deles’ também se entregaram àquela orgia de suor e cerveja enquanto a banda mandava seus hinos ‘Quem Gosta de Iron Meiden Também Gosta de KLB’, ‘Eu não Entendi Matrix’, e meteram o pau nos governistas conservadores antes de tocarem ‘Fiscal de Cú’ do mais recente álbum de 2017,enquanto a plateia se matava jogando pra cima duas boias de piscina e bolas infláveis (de onde vieram essas coisas? Quem traz isso pra um show de Metal?) seguiram com ‘Black Velho’ e ‘Headbanger Voice’ com tacadas diretas nos idiotas que governam (?) nosso país e encerraram com dois petardos insanos ‘Centro do Pica-Pau Amarelo’ e ‘O Saci’, tudo isso regado à muitos banhos de pipoca como manda a tradição atual que substituiu as antigas farofas podres dos velhos tempos, Que Espetáculo!
 
GANGRENA GASOSA (cred. Kallyna H. Gomes)
Platéia no show do GANGRENA GASOSA dando um show à parte.
 
E pra quê descanso se temos agora o show comemorativo de 30 anos do disco “Brasil” com o RATOS DE PORÃO?
 
Jão,Juninho e Gordo - R.D.P. (cred. Kallyna H. Gomes)
 
E mais rodas gigantescas se formaram jogando aquelas boias e bolas infláveis pra cima enquanto o RPD desfilava aqueles hinos que infelizmente nunca ficam datados, pois três décadas depois nosso país ainda vai de mal à pior nas mãos dos mesmos picaretas de sempre, muitas vezes lembrados por Gordo e Jão nos microfones, ataques diretos ao (des)governo entre as letras de ‘Amazônia Nunca Mais’, ‘Retrocesso’, ‘Aids, Pop, Repressão’, ‘Farsa Nacionalista’, ‘Traidor’ entre todas aquelas que você já conhece bem.
 
RATOS DE PORÃO
 
Ali não tinha arregão, entre a bandeira do M.S.T. no cubo de baixo de Juninho e a bermuda FCK NZS de Jão, Gordo se auto proclamava aquele que “...traiu o movimento, apanhou do Dado Dolabella e se vendeu pro Edir Macedo...” botando alguns playboys em seus devidos lugares láááááá atrás do salão. Não foram embora sem antes tocar ‘Sofrer’ e ‘Crucificados pelo Sistema’ ovacionados pela galera em geral. 
 
SHAMAN (cred. Kallyna H. Gomes)
   
Já eram mais de 22hs quando outro co-headliner tomou o palco ao lado, SHAMAN em sua turnê comemorativa com a formação original tocando na íntegra os dois primeiros álbuns, “Ritual” e “Reason”. A banda ficaria no palco pelas próximas duas horas para deleite de seu fã-clube fiel executando primeiro o disco “Reason” de 2005 na íntegra, dando um intervalo com vídeo biografia e voltando para executarem o primeiro “Ritual” de 2002, mas também para desespero da outra parcela do público que era grande e aproveitou esse tempo pra transformarem os corredores laterais em dormitórios, as escadas em arquibancadas e para tietarem seus ídolos nas barracas de merchandising ou simplesmente fumar lá fora. Devido aos comentários contrários que ouvi por lá, notei que seria mais acertada a escolha de botar o SHAMAN para encerrar o festival, assim quem não quisesse ver iria pra casa, mas enfim, é vida que segue e festival que prossegue, com os clássicos do SHAMAN tocados excelentemente como ‘Turn Away’, ‘Reason’, ‘Trail of Tears’,’Here I Am’, ‘Fairy Tale’ e ‘Ritual’. Este seria o penúltimo show do SHAMAN e de André Matos que, infelizmente, faleceu exatamente uma semana depois deixando o lado Headbanger do país todo perplexo com a perda repentina. Fica aqui nossas condolências aos fãs de André Matos.
 
 
André Matos (SHAMAN) brilhando pela penúltima vez em palco.(cred. Kallyna H. Gomes)
 
A banda principal do festival, os gregos do ROTTING CHRIST, entraria no palco com mais de vinte minutos de atraso (graças as mancadas do som), mas vieram com um público bem reduzido (creio que os fãs do SHAMAN foram embora), mas ainda sim executaram um belo espetáculo profano e sonoro tocando entre tantas, ‘Fire, God & Fear’, ‘Societas Satanas’ e ‘The Sign of Evil Existance’ e ‘Non Serviam’ no bis.
 
ROTTING CHRIST
 
 
Agora colocar mais duas bandas depois dos headliners foi um tiro no pé e as bandas que pagaram o preço, um preço alto para um nome tão forte no sul quanto o do MOTOROCKER que entrou no palco 01:40 com menos de 100 pessoas para vê-los,tinha muito mais gente sem fazer nada lá fora, total descaso por parte do público também, decepcionante, a banda tava com ‘sangue nozóio’, muita fúria no palco tocando seus clássicos ‘Acelera e Freia’, ‘Blues do Satanás’, ‘Igreja Universal do Reino do Rock’ e ‘Vamo Vamo’, mas assim que tocaram uma das mais novas ‘Para Raio de Encrenca’ o técnico de som da mesa ao lado do palco simplesmente os mandou pararem de tocar sem mais nem menos, deixando o vocalista totalmente sem graça de anunciar ao seu público fiel que nem ele sabia que era o fim do show que ainda tinham alguns clássicos a serem executados, total falta de respeito daqueles que se dizem profissionais do som com a banda.
 
 
MOTOROCKER
 
Aí meus amigos, ‘a Inês já era morta’, às 02:25 da madrugada, com uns 30 gato-pingados os equatorianos do TOTAL DEATH encerraram melancolicamente esse festival que expeliu profissionalismo, alegria e fúria em quase sua totalidade, reconheço que merecia um final mais à altura do que foi o dia todo, mas os atrasos acontecem mesmo, problemas técnicos também, o que deixou a desejar mesmo foi o próprio público que sumariamente ignorou as duas últimas bandas, preferindo ficar lá fora bebendo, fumando e jogando conversa fora ao invés de assistirem as derradeiras bandas, que são extremamente talentosas e profissionais, o MOTOROCKER de Curitiba/PR com seu Rock And Roll pesado e o TOTAL DEATH do Equador com seu Death Metal atmosférico (que está excursionando com o ROTTING CHRIST pela América do Sul).
 
TOTAL DEATH (cred. Kallyna H. Gomes)
 
Mais uma vez agradeço e parabenizo aos organizadores do ARMAGEDDON METAL FEST nesta segunda edição em Joinville/SC lhes desejando sucesso para que tenhamos mais e mais edições nos vindouros anos.
 
ROTTING CHRIST (cred. Kallyna H. Gomes)

 

TOTAL DEATH

 

SHAMAN (cred. Kallyna H. Gomes)

 

 

SYMMETRYA

 

TOTAL DEATH

 

SYMMETRYA (cred. Kallyna H. Gomes)
 
THE SECRET SOCIETY (cred. Kallyna H. Gomes)
 
 
SEMBLANT (cred. Kallyna H. Gomes)
 
 
 
RATOS DE PORÃO (cred. Kallyna H. Gomes)
 
HUEY (cred. Kallyna H. Gomes)
 
GANGRENA GASOSA (cred. Kallyna H. Gomes)
 
BLACKMASS (cred. Kallyna H. Gomes)
 

ANDRÉ MATOS (eternizado por Kallyna H. Gomes)

 

 
 
Fotos: Kallyna Halanna Gomes (quando creditado) (AMF) e Alexandre WildShark (Toca do Shark)
 

 

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