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Woodstock Brasileiro completa 44 anos
24/01/2019 08:52 em Música

Estamos falando de um festival ocorrido em 1975 no interior de São Paulo, na cidade de Iacanga, onde a fazenda Santa Virgínia ofereceu seus campos ao hoje lendário Festival de Águas Claras, que fez história no Rock e na música brasileira em geral, sendo apontado como um dos momentos antológicos e até hoje rendendo boas e inesquecíveis histórias. A fazenda pertencia ao pai de Antônio Checchin Júnior, o Leivinha, organizador do festival.

Milhares de pessoas reunidas em uma fazenda para um festival musical, celebrando a paz, o amor e pedindo um mundo mais justo e sem guerras, e no Brasil.

Só para se ter idéia participaram da edição de 1975: Mutantes, Som Nosso de Cada Dia, Terreno Baldio, Walter Franco, Moto Perpétuo, Jorge Mautner, O Terço, entre outros.

Liminha, durante o show do Som Nosso de Cada Dia

Foram "5000 watts de potência no palco que media 18m por 9 m” dizia uma publicação daquele ano sobre o festival. Gente de todos os estados do país reunidas para nada mais que ouvir música e exaltar o espírito de paz e amor.

Cenas já descritas no festival de Woodstock e em outros do gênero se repetiram: jovens que durante o dia aproveitavam para passeios e banhos no córrego da fazenda sem qualquer roupa, alguns fazendo sexo ao ar livre e o uso de substâncias digamos, estimulantes e ilegais ocorrendo sem, no entanto, prejudicar o andamento do evento. A trilha sonora convidava à rebeldia e o mundo parecia se encerrar naquela fazenda. O Águas Claras durou três dias e como dizia a revista POP ainda em 1975 em matéria sobre o festival: “à tardinha, antes de começar o som, meia dúzia de cabeludos circulava entre as barracas , espalhando boas vibrações com o som de suas flautas. A esta altura já funcionava um eficiente comércio de trocas entre as barracas: comidas por cigarros, camisetas por águas e assim por diante. Quem tinha dinheiro se abastecia nas barraquinhas. Quem não tinha descolava tudo na base da amizade”.

A mesma revista POP dizia ainda que “na manhã da sexta-feira, quando o festival começou oficialmente, já havia uma verdadeira cidade de barracas coloridas instaladas nos pastos. E para servi-la, uma eficiente infraestrutura de sanitários, barracas com alimentos e refrigerantes, ambulatório e até um chuveiro improvisado no córrego das Águas Claras”. Em relação aos shows, todos merecem louvor por terem acontecido num evento, no mínimo, histórico. Mas não se pode deixar de mencionar a abertura da sexta-feira com Dan Rock-A-Billy descarregando canções de Bill Halley e Elvis Presley numa performance que fez com que o público mergulhasse no espírito da musicalidade do festival imediatamente. Em seguida foi a vez de grupos como Pedra, Sacramento e Peyoth, este último iniciando com músicas leves que levaram as pessoas a uma espécie de transe coletivo e tranquilo para depois destilar algumas mais vibrantes. Já na madrugada Toni Osanah emendou energéticos blues em covers dos Stones e fez a plateia se empolgar, preparando terreno para os já citados “diabólicos” do Rock da Mortalha. Os paulistanos fecharam a noite em grande estilo e chegaram a ser filmados por argentinos que então exageraram aos cunhar o apelido de “Sabbath Brasileiro”.

O sábado começou obviamente com o som mecânico e as pessoas procurando toda espécie de diversão enquanto não chegava o momento dos shows da noite, que teriam bandas como A Chave (Curitiba – PR), Eclipse e Orquestra Azul, que apresentou um repertório variado no estilo e até mesmo covers da Mahavishnu Orquestra. Mais adiante naquela noite foi a vez de um americano chamado Mike subir ao palco e levar o público ao delírio tocando músicas no melhor estilo Jimi Hendrix, acompanhado de um baixista e de um baterista. A noite foi fechada com a banda Apokalipsys que terminou seu show, já com o nascer do sol, executando a música Liberdade, que se tornaria uma espécie de hino do festival.

O domingo trouxe algumas bandas boas e desconhecidas que apesar de provocarem menos impacto àquela altura – o sábado tinha sido um dia muito quente e levado muitas pessoas à enfermaria – deixaram sua marca.

Além destas o dia foi de bandas mais cultuadas como o Moto Perpétuo, Som Nosso de Cada Dia e O Terço, que encerrou o festival de forma apoteótica num show que foi tido como um dos mais expressivos do Águas Claras. 

Um festival que se tornou lendário e que teve outras edições em 1981, 1983 e 1984, mas que viu nesta primeira edição de 1975 algo que poucos podiam imaginar que ocorreria com tamanho êxito no Brasil. Se é exagerado chamar de Woodstock Brasileiro ou não, deixemos isto para a opinião e análise de cada um, mas o fato é que falamos de uma reunião de corpos e mentes em sintonia, embalados pelo som que já há muito tempo movia multidões ao redor do mundo e naquele momento mostrava, como nunca, sua força em nosso país: o bom e velho Rock n’ Roll!

Gustavo Troiano

Fonte: Obvious

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